Ariston, é grande amigo, poeta e compositor; seguem poemas publicados na Revista Zunai. TENTANDO JOÃO CABRAL a Jussara Silveira 1. As gentes têm por invisível comum, senão seu próprio vício, haver, suas próprias, as artes ou ser o próprio malas-artes, que mesmo o canto, por exemplo, escultura, vem de entre os dentes, ao ouvido, é bem mais frágil que o invisível vidro ao tato. 2. O sem-porquê do compromisso relativo ao valor do ofício mostra-se mais, mostra-se noite, quando um suposto ouvinte afoito, diante do quebra-cabeça, elege, feito cabra-cega, em meio a seus pedaços todos, o menos importante: o autógrafo. 3. Até se expor (e dar nas vistas?) autografar-se alienígena, recanto de um canto em um outro, transplante de um obscuro órgão de si para si, mas via alguém, quesito e réplica através. Anzol em peixe, aquele canto; este, uma espinha na garganta. ________________________________________________________________ se for aquilo que se foi que volta ao paraíso o pecador que torna em torno desse próprio posto à prova sentir o sabor de outra boca à boca é outro o velho gosto que se arrota sentir o sabor de outra boca à boca em torno desse próprio posto à prova ao paraíso o pecador que torna se for aquilo que se foi que volta ________________________________________________________________ A LUA EM DÉBORA A lua, quando a lua indo embora, Manhã, que se dilua toda luz, Despede-se, despindo-se da luz, Por dentro está mais nua que por fora. A lua e outra lua, dentro e fora, Oferta-se perfeita, sua esfera, Em duas, ao desejo em outra esfera, Olhar que se dilua dentro e fora. A lua, dentro, quando a lua, fora, Estreita o tempo e sobre o tempo o torna, Entranha o dentro ao dentro e o tempo torna Vertigem na vertigem da demora. Pois quando a lua, quando se demora E assim delude a luz e a terra opaca, Persiste em lua ainda mais opaca, A lua que debruça da memória. http://www.revistazunai.com/poemas/luiz_ariston.htm
Escrito por Jussara Silveira às 16h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|